segunda-feira, 6 de junho de 2016

Tempestade (parte I)

O subtil e amistoso chilrear dos pardais provindo do cume dos plátanos, as belas folhas das árvores caducifólias após aparecimento da floração, o bafo quente e seco amenizado pela presença de hodiernos nebulizadores, acompanhado do doce e refrescante sabor da felicidade, marcaram a mansa calma dissimulada que antecede as grandes tempestades.

Quem diria.

As límpidas e fleumáticas águas da fonte, portadoras de uma beleza singular, agitaram-se de tal modo, que toda aquela forte e pavorosa energia estático- dinâmica, gerou não só a sua eletrólise mas também a de todos os corpos remanescentes.

Todo um festival de trovões ribombantes, precedido de curtos relâmpagos tenebrosos, anunciou o prelúdio de um angustiante desenrolar kafkiano.

O sufoco, a ansiedade, a insegurança e a inquietação apoderaram-se da ocorrência, surgindo uma implosão explosiva, com direito a deflagração, ondas supersónicas e tudo o mais a que tinha direito.

Assim, sem mais nem menos, nasceu um pulveroso rebuliço emocional.

Sem comentários:

Enviar um comentário