Refugiada.
Por força das circunstancias aquela
alma tornou-se refugiada.
Receando pela sua vida, realização e
liberdade, viu-se forçada a abandonar o seu lar, rumo a um futuro
incerto em terras longínquas e inexploradas.
Vítima de guerras, perseguições,
desacordos e intolerância, não encontrou outro caminho
que não esse, após anos e anos de batalhas sangrentas,
repletas de campanhas militares arrasadas pela falta de táctica e
insuficiência de estratégia.
Vencida e derrotada, acabara
sumariamente por ser transferida para os primórdios da sua miserável
e fúnebre existência.
Malquista e indesejada, é agora como
que uma terrível praga ameaçadora das reluzentes e vivazes
plantações de trigo, que a muito custo proliferam sob os raios
tórridos de um verão abrasador.
Traz consigo, na bagagem, sementes de
discórdia e de tumulto, que se alastrarão inevitavelmente como
ervas daninhas entre os demais.
Pedra no sapato.
É esta a designativa caracterização
que lhe assola o íntimo, quando confrontada com a precariedade
infligida por tal demanda.
Perdida, deambula agora pelo mundo,
numa desmedida e insustentável ambivalência de emoções, muito
embora ao longe, para lá do nevoeiro entorpecedor, emirja uma
pequeníssima edificação de carácter onírico, estruturada num
projecto de paz, sob uma sólida base de esperança.