domingo, 10 de janeiro de 2016

Transigência

Recentemente dei por mim a ser demasiado benevolente em determinada ocasião, sem qualquer tipo de razão aparente. O facto de já o ter feito em várias situações, alertou-me para o enorme erro em que tenho estado a incorrer.
Até que ponto é que devemos reger-nos pela complacência e condescendência? Por que procuramos a todo o custo evitar conflitos?
O meu carácter diplomático, sempre me permitiu um certo tipo de abertura para ceder às vontades ou às opiniões dos outros, sempre que as situações sociais assim o requeressem.
Contudo, ao fazê-lo, estaremos a ser fiéis a nós próprios? Qual é a linha que separa a flexibilidade e a tolerância da hipocrisia e da incapacidade de imposição?
Os seres humanos vivem, desde os primórdios, clara e indiscutivelmente em sociedade. Encontramo-nos ligados uns aos outros pelo simples factor necessidade, já que precisamos de satisfazer os nossos desejos e garantir a nossa continuidade enquanto espécie. Curto e grosso. Manifestamos todo um rol de necessidades estruturais, físicas, materiais, emocionais, adiante…
Precisamos desesperadamente de afirmação e de reconhecimento mas para que isso aconteça é suposto que reconheçamos e que congratulemos o próximo.
Demasiado ambíguo?
Simplifiquemos então: Para que a coisa funcione, requer-se que sejamos complacentes. É esperado que sejamos amistosos, gentis e prestativos, para que desta forma, possamos agradar e cativar as pessoas. No entanto não podemos abusar no tempero. Sim, o excesso de complacência pode ser visto como fraqueza, ao denotar uma incapacidade de expressão de opiniões próprias. Ou seja, basta uma pequena pitada de duplicidade. Nunca nada de muito evidente já que não pretendemos salgar o preparado que tanto trabalho requereu.
Bom, então o que se espera de cada um de nós é que não fujamos à regra. Devemos dar com uma mão e retirar com a outra, para que o equilíbrio titubeante em que serenamente vivemos não seja abalado.
Imagino que o leitor esteja a pensar que isto não se aplica a si e como tal aconselho-o vivamente a fazer uma reflexão. Acha que é sempre fiel aos seus princípios? Exclui da sua vida todos os que considera menos dignos? Não compactua com maneirismos?  Respeita ou não conveniências? Suporta aparências?
Será que é mesmo diferente ou não terá apenas uma avassaladora necessidade de assumir o papel de mimo-gaio da rebelião dos modos sociais?