quinta-feira, 14 de abril de 2016

Ecletismo versus mediocridade

Perguntei recentemente a uma pessoa que estilo de música é que costumava ouvir e a resposta que obtive foi: - “Eu sou eclético.” Bom, até aí nada de surpreendente. O que realmente me pasmou, foi que ao virem à baila géneros como o Pimba, o Sertanejo, a Kizomba ou Reggaeton, a pessoa em causa ter assumido uma postura incomensuravelmente defensiva. As suas palavras foram, nada mais, nada menos do que: - “Não ouço nada disso, que bimbo…”

Uowwwwwwwwww… ??!!

Pois bem, o ecletismo não busca a conciliação e harmonização de teorias e estilos distintos? Não poderá simplesmente ser considerado como a liberdade de escolha, sem qualquer tipo de apego a determinada marca, estilo ou conceito?
Que eu saiba, o termo eclético opõe-se a todas a formas de dogmatismo e radicalismo.

O ecletismo inclui, não exclui.

A grande maioria dos autoproclamados ecléticos que por aí andam, acham-se os suprassumos da inteligência musical. Rejeitam todos os géneros que consideram menos dignos, em grande parte por nem sequer os conhecerem e glorificam os que julgam apropriados por estarem em voga. - Mas bom, eu sou eclético - afirmam.

Afinal o que é que é bom do ponto de vista musical? Não deveria ser o que nos faz sentir bem?
 Será que ainda não deu para entender que esta é mais uma daquelas indecifráveis questões anímicas?
Num mundo em que a maioria procura valorizar o pensamento independente, a contracultura, os políticos progressistas, a arte, a criatividade e a inteligência, reina a mediocridade e a exclusão.
“Todos” querem ser “hipsters” e pensar “out of the box”, sem sequer se aperceberem que na realidade esse é o “mainstream” do momento. Pior! A maioria nem pensa “no interior da caixa” quanto mais fora dela...
Paradoxal, não???

Acho impressionante que em pleno século XXI ainda permitamos que reprimam e desrespeitem os nossos gostos deste modo. Quantas vezes fizemos afirmações do tipo: “Este é o meu gosto decadente.” Mas decadente por que carga de água? Porque é simplista? Porque a maioria considera desprezível? Mas qual é afinal o real peso e importância dessa tal maioria?

Primam mas é pela liberdade. Possuam várias linhas de pensamentos. Não permitam que vos limitem.
A chave reside em não seguir um sistema em particular mas seleccionar e utilizar aqueles que são os melhores elementos de todos os sistemas.
A música não pretende a dissociação da sociedade e dos indivíduos mas sim a sua agregação. Deveríamos promover actos de partilha e de aproximação em detrimento de condutas de cizânia.
Necessitamos urgentemente de parar de amplificar defeitos e cessar de transpor os limites do bom senso, do respeito e da liberdade pessoal.
E por que não começar a enaltecer antes as virtudes do que nos rodeia?

Céus, quanta mediocridade… 

terça-feira, 12 de abril de 2016

Dor (112 palavras)

A dor é como que uma falsa amiga.
Está por perto em momentos afortunados e acompanha-nos em momentos difíceis.
Vela por nós a cada instante. É fingida, dissimulada, rainha da hipocrisia e da adulteração e ao mesmo tempo é tão cândida e genuína.
Fixa-se ao nosso corpo, fixa-se à nossa alma e como que um parasita vai gradualmente apoderando-se de nós.
É fria, meticulosa, angustiante, calculista.
Tem a capacidade de destruir tudo à sua passagem.
Furacão. A dor é um furacão.
É o redemoinho que gira em torno do núcleo de cada individualidade em agonia.
Aniquila o pouco que nos resta de bom, envenenando-nos com o seu beijo enrustido.
Enfraquece-nos.
Desvitaliza-nos.
Debilita-nos.