quinta-feira, 9 de junho de 2016

Tempestade (parte IV)

O mar, cerúleo, estava plácido e sereno.
À distância a que se encontravam, considerável do ponto de vista físico mas curtíssima em proximidade transcendente, bastava apenas respirar-se, calma e profundamente, para que todo aquele eflúvio voltasse.
Odor adocicado, frondoso, bravio, penetrante.
Fresca amálgama ardente de que é composto o elixir da vida.
Muito poucas palavras conseguiriam descrever exatamente as sensações difusas que o cheiro a éden lhes trazia de volta.
Desejo.
Magnetismo.
Arrebatamento.
Êxtase.
Impermisto vínculo inquebrável.
E assim, de modo incansável, essa preciosa fragrância envolvente, continuava a bombardear, com resoluta perseverança, os já debilitados corpos dos membros tripulantes.
– Até quando aguentaremos esta tortura? – Perguntavam-se os lobos-do-mar.
– Até quando? – Bradavam aos céus.
E as respostas acres continuavam sem surgir mas o odor desconcertante, esse sim, persistia em martirizá-los.

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