sexta-feira, 8 de julho de 2016

Alimentadores de alma

Os alimentadores de alma, impregnam-nos o espírito de benevolência e de bons propósitos.
Quando tudo desaba, quando se perde o norte, quando já não sabemos quem somos, são eles que nos orientam e que nos guiam, de modo a encontrar-nos novamente.
Põem-nos de volta no rumo certo, ajudando-nos a percorrer os trilhos mais sinuosos dos limites da desagregação e da incompreensão, com toda a sua nobre sobriedade característica.
São os guias turísticos das contrariedades e incertezas da vida, que garantem todo um acompanhamento físico-emocional, prestando informações sobre as manifestações culturais e geográficas das regiões mais impenetráveis e intransponíveis dos confins do id, ego e superego.
Conferem-nos toda uma assistência, um amparo, uma consolação.
São o auditório, a plateia e a audiência.
A personificação da cooperação e do assessoramento.
São as ambulâncias, os prontos-socorros, os desfibrilhadores, as injeções de adrenalina.
São o báculo nos momentos de fragmentação, que corrigem as deformações de caminho que nos levam ao abismo, desviando-nos meiga e delicadamente para a luz.

Socorrem-nos ainda das caídas e recaídas em fendas e precipícios existenciais, puxando-nos para cima com as suas pródigas e ternurentas mãos umbráticas.
Cajados. Os enchedores de alma são cajados, construídos com madeiras retiradas de pesares mortos, que para além de nos protegerem e de repelirem com afinco o que de mal nos atormenta, rogam por nós aos espíritos da floresta negra das incertezas e das tormentas.
Geram todo um campo magnético indelével, que nos ajuda a estabilizar emoções, a curar doenças e que nos confere  acima de tudo um tipo muito particular de  proteção anímico-espiritual.
São armaduras metálicas de compreensão, compostas por camadas e camadas de couro de discernimento e acolchoamentos de razoabilidade e de bom senso.
São reis da prudência e lordes da circunspeção.
São os tudos que preenchem os inúmeros nadas.
São os que, à falta de melhor designação, frequentemente chamamos amigos.