Uma caneta falha.
Duas.
O planeta gira e eu giro com ele.
Juntos.
Em sintonia.
Perfeita simbiose centrípeta.
Felizmente existe uma terceira caneta
que me fora facultada pelas estrelas.
Astros reluzentes que compreendem como
ninguém a arte da resiliência, força e supremacia.
As entranhas exaltam-se e o amargo
sabor a bílis entorpece as vis e redundantes ideias.
O peão gira e gira...
O fim está absolutamente em aberto.
As ideias fluem, muito embora o foco já
esteja distorcido.
As letras desvanecem-se como flores
dente-de-leão após sopro de criança.
Criança.
Fonte incontornável de pureza e
inocência, apenas equiparada às mais poderosas forças do cosmos.
Retraio-me
Desespero.
Mergulho na intensa vulnerabilidade da
débil condição humana.
Imploro ao tempo, que volte para trás,
muito embora se saiba de antemão que esta constante da vida
desrespeita por completo todo e qualquer principio universal.
O tempo é um fora-da-lei, um marginal.
O derradeiro criminoso.
Retrata a distensão de todas as forças
de normalidade.
Autointitula-se acutângulo da razão.
37,5 graus de arrebatamento.
Recuo.
Contraio-me.
Interregno de autocomiseração.
Respiro mas o mal já está feito.
As leis gravitacionais não perdoam.
A calma e a serenidade instauram-se por
momentos, como que se de um fenómeno de molharias da morte se
tratasse.
Terá sido apenas um susto?
Não!
Nova investida.
Aflição.
Tortura.
Acre travo de mágoa e de
arrependimento.
Fecho os olhos.
Adormeço.
Quando acordar o mundo continuará a
girar e as estrelas guiar-me-ão.
Quem sabe se para o derradeiro colapso;
quem sabe se para os regados canteiros de gáudio.
O importante é ir.
Vai!