A ausência de formação e a falta de informação, aliadas à
presunção e à escassez de carácter, são dos factores que cada vez mais,
remetem a humanidade em geral para o descalabro total.
Tudo
começou, com uma daquelas grotescas conversas de supermercado que feliz
ou infelizmente já todos presenciámos de forma involuntária. Pois bem,
imaginemos um ser vaidoso, do tipo pedante e pretensioso, que se
enaltece exacerbadamente e que se considera o suprassumo de todas as
virtudes. Esta foi fácil, não? Num tom altamente ostensivo, digno de uma
das chamadas estrelas de Hollywood, numa daquelas cerimónia de
galardoação do cagalhão, uma senhora, claramente entendida em assuntos
de foro químio-alimentar afirmou:
"- Gorduras trans,
eu? Era o que mais me faltava. Li um artigo que dizia que devemos ter
imenso cuidado com esse tipo de produtos transgénicos." - e lançou um
enorme suspiro dramático que me trouxe imediatamente a Scarlett O'hara à
memória.
O "trans" das chamadas gorduras trans advém da palavra transgénico????
Tantantantannnnnnn...
Muito
gostam as pessoas de confundir Manuel Germano com género humano.
Compreende-se perfeitamente que nem todos tenhamos uma graduação em
bioquímica ou algo que o valha mas a questão que se coloca é que quando
não se está dentro de um assunto, o ideal é mesmo não se fazer
afirmações deste calibre.
As gorduras trans NÃO são geneticamente modificadas.
São apenas um tipo especial de gorduras, em cuja composição estão presentes ácidos gordos insaturados na configuração trans,
em detrimento dos insaturados em posição cis. Os termos trans e cis
referem-se a um tipo de isomeria geométrica cujos pormenores só
interessam a investigadores e peritos em estereoisomerismo. O que
realmente acontece, é que a cadeia que compõe esta molécula é menor e
isso traduz-se numa maior rigidez, que lhe confere propriedades físicas
diferentes, muito favoráveis no que respeita à sua estabilidade.
Desmistificando
toda esta explicação química, verificou-se que a incorporação de uns
hidrogénios através de processos industriais a estas gorduras, resulta
numa solidificação e espessamento altamente proveitoso e rentável à
indústria alimentar.
Com
este processo nasceu uma nova galinha dos ovos de ouro, na medida em
que se produz algo mais barato, que passa a dar meses de vida a
determinados alimentos. Mas será que alguém ou alguma entidade, seria
capaz de massificar essa produção, tendo conhecimento das repercussões
nefastas à nossa saúde?
Claro que sim! O que seria
dos produtos congelados e da comida processada em geral sem elas? A
maior parte de nós consome-as diariamente, mesmo aumentando estas a
probabilidade de aparecimento de placas de gordura no interior de veias e
artérias, que podem causar enfartes ou derrames cerebrais.
No
entanto vamos acreditar que o carrinho de compras que a tal senhora
trazia cheio de bolinhos de pastelaria, bolachinhas, cremes de barrar,
gelados, pizas, batatas fritas de pacote e margarina não era de todo
para consumo próprio. Devia estar a recolher amostras para realizar um estudo analítico complexo desses "alimentos".