quarta-feira, 22 de junho de 2016

Tempestade (parte VI)

Após meses e meses de navegação à bolina, a embarcação encontrara finalmente uma paz divina, que lhe fora conferida, como que à sorte, pelos ilustres Deuses anemófilos.
Ao largo da ilha não existia mais qualquer tipo de vento predominante.
As vergas, presas aos mastros através de um complexo sistema de cabos, não oscilavam um único milímetro, o que tornava impossível o simples processo de bracear.
Qualquer tentativa de monitorização de correntes de superfície e de agitação marítima era absolutamente infrutífera.
De um momento para o outro, tudo ficou em suspenso e durante o alvorecer do crepúsculo, tudo se apaziguou fleumaticamente.
Cessaram os odores ralos, florais, acres e edulcorados, as cores ténues, subtis, garridas e vibrantes, tudo. Foi tudo suprimido, naquele ensejo bizarro e insólito.
Era quase como que o triangulo das Bermudas, rei dos fenómenos inexplicáveis, um insondável mistério que se precipitava à velocidade da luz.
Forças magnéticas invulgares, túneis do tempo intrincados, enigmáticas ocorrências extraterrestres, obscuros mecanismos paranormais ou qualquer outro tipo de fenómeno metafísico ininteligível.
O tempo parara, e tal como gritara severamente o capitão, era hora de ancorar!

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