terça-feira, 23 de outubro de 2018

A doença do século


Uma nova doença, denominada padronização, tem vindo a alastrar-se e a abater-se sem escrúpulos, sobre a população mundial.

Trata-se de uma patologia altamente infecciosa, causadora de irreversíveis distúrbios mentais, provocados essencialmente pelo excesso de regras e por um adestramento generalizado.

Existem variadíssimos sintomas, podendo destacar-se desde já alguns dos mais relevantes: Aparência física e comportamentos semelhantes; falta de personalidade; inexistência de originalidade; sonhos e ambições idênticas; plágio recorrente.

A tendência é que as idiossincrasias, isto é, aquilo que cada indivíduo possui de único, deixe de vez de existir diante de um mundo tão pragmático e controlado.

A padronização procura confinar-nos a vidas superficiais e sentenciar-nos a uma existência totalmente ignóbil e desinteressante.

Conversar incessantemente sobre os mesmos assuntos , responder de modo contido e programado ao que quer que seja e estar acima de tudo de acordo com todos os parâmetros adequados à vida em sociedade, são alguns dos seus predicados.

O vírus, procura que nos cinjamos ao sistema seguindo normas pré-determinadas, tornando-nos, em última instância todos iguais. Assim sendo, a vida acaba por se transformar numa grande linha de produção, na qual, de forma sequencial, nos vão moldando a uma única forma comum: todos a fazer as mesmas coisas, ao mesmo tempo e ao mesmo ritmo, de modo a que uma vez todos iguais e sem qualquer peculiaridade que nos possa diferenciar, nos tornemos maleavelmente submissos.

Plasticina humana.
Sim. Quem não se curar tornar-se-á plasticina humana.

Puro lixo existencial.