terça-feira, 29 de novembro de 2016

Olhos no mar



Vazio imenso preenchido por uma solidão libertadora.

Brumas de desespero criadas pela rebentação violenta do desprazer.

Entropia ondularmente sonora, absorvedora de voos rasteiros e de sede infinita.

Turbilhão sereno.

Entranhas à superfície.

Sol iluminador da desagregante realidade ilusória. 

Número 6.

Corpo entorpecido.

Caracóis rebeldes, dançantes, vagueando ao sabor do vento e da maresia.

Sentimentos odaliscos, prisioneiros num harém de convencionalismos.

Águas turvas.

 Submundo delicado e imperceptível. 

Tremores irracionais, algures no âmago das mais profundas incertezas.

E a infame e desditosa espera….

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Enclausurados


Sentimo-nos frequentemente enclausurados.

Ficamos inúmeras vezes retidos nas amargas e traiçoeiras encruzilhadas da vida.
Não sabemos bem onde estamos, nem tão pouco temos a certeza de para onde pretendemos ir.
Somos cativos na gaiola de ideias, princípios, conceitos, noções, juízos e formulações que nós próprios construímos.
Almejamos sair em liberdade mas o medo que sentimos pelo desconhecido transpõe-se à nossa débil necessidade de emancipação.
Receamos a total autonomia, soberania, auto-suficiência e toda a solitude e isolamento que estas acarretam.
Carecemos de arrojo.
Carecemos de determinação.
Por onde andas audácia?
Tenacidade onde te escondeste?
Comemos alpista com sabor a infortúnio e bebemos do bebedouro do desprazer, enquanto nos vamos levemente balançando no frágil e cinzento poleiro da insatisfação.
Teimamos em permanecer encerrados, muito embora até tenhamos a capacidade de vislumbrar ao longe os doces frutos da Primavera que se avizinha.
Cantamos diante da liberdade.
Quem sabe se para passar o tempo…
Quem sabe se aguardando o momento mais oportuno para voar…

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Olho metonímico-protónico: TU

Olho metonímico-protónico: TU: Melodia. Cântico celeste. Orquestra. Deslumbrante sonoridade musical. Visão esplendorosa.  Magnificência de arco-íris. Fogo de ...

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Metamorfose

Acorda.
Para.
Respira. 
Escuta.
Olha.
Sente. 
O mundo mudou. 
A realidade deturpada dos necróticos conceitos previamente definidos transbordou de vez no rio da clarividência.  
O pequeno ovo, frágil e delicado quebrou-se. 
A débil larva eclodiu e de modo perfeitamente inócuo alimentou- se vorazmente dos recursos de que dispunha. 
Seguiu-se a crisálida, espantoso e intrigante estado de pupa.  
Gélido casulo metálico abrigo de processos de introspeção e de maturação. 
Armazém de ideias.
Sui generis fábrica repleta de linhas de montagem de mobilidade alada.
Asas.
Emergem dois pares de asas membranosas, cobertas de escamas, alicerces determinantes na jornada que se avizinha.
Liberta-te.
Descola.
Paira.
Plana.
Voa.
Vive.