Coberturas edificadas de sentimentos, cuja função primordial assentaria em proteger o templo sagrado de cada um, das mais diversificadas intempéries exteriores.
Criá-los-ia de múltiplas formas, cores, feitios, uns mais altos outros mais baixos, simples ou sobrepostos, com telhas opacas ou translucidas, de barro, zinco ou vidro; telhados de palha; toda uma infinidade de opções para toda uma vastidão de complexidades.
Impermeabilizaria a cobertura destes templos, fora da época das chuvas, longe dos turbilhões intempestivos das relações humanas, fazendo uso de uma trama de coragem, quadriculado constituído de terças, caibros e ripas, que se apoiariam sobre a armação e que, por sua vez, serviriam de apoio às telhas do infortúnio.
Fixaria, cuidadosamente, cada uma destas últimas, com silicone de arrojo ou com argamassa de determinação, de modo a proteger a nave da exposição solar das injúrias e de todos os restantes agentes deteriorantes associados ao ultraje, que promovem o seu tão temível desgaste.
Manter-me-ia permanentemente atenta aos cupins, célebres isópteros da maldade, evitando assim, que estes consumissem as madeiras de sustentação e causassem o deslocamento das unidades básicas de apoio.
Monitorizaria assiduamente toda a área interior, procurando goteiras de desalento, ou vestígios de infiltrações de agonia pelas lajes a dentro, até encontrar e exterminar, o pútrido mofo destruidor de almas.
Protegeria a fortaleza com unhas e dentes, impedindo todo e qualquer ato de barbárie, selvageria ou de profanação.
Fá-lo-ia com determinação.
Fá-lo-ia de bom grado.
Fá-lo-ia se pudesse.
Fá-lo-ia se todos os alicerces necessários existissem e estivessem ao meu alcance.
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