Um ruído surdo, desconexo e incongruente apoderou-se do convés sem pedir licença, fazendo com que todos marujos se sentissem seriamente perturbados, sem que na realidade soubesse porquê.
Ventos uivantes açoitavam vigorosamente as rochas, e reverberavam imagens do passado, ao incorporarem-se nas águas agitadas balançantes.
O som suave e agudo resultante, associado ao bulício proveniente da ilha ali já tão perto, gerava pois, todo um misto de nostalgia e de consternação.
O ramalhar das árvores gimnospérmicas e dos mansos e estéreis arbustos, era suficiente para perfurar deliberadamente o peito de cada homem e atrasar-lhe os batimentos cardíacos por cinco ou seis segundos.
As dúvidas e desconfianças instauravam-se novamente.
Os marinheiros, até então fortes e inabaláveis, vacilavam como donzelas espavoridas em noite de núpcias.
Todo aquele tinido parcialmente abafado pela surdina do solo, alertava-os e relembrava-os de todos os perigos em que poderiam incorrer, naquele agridoce paraíso repleto de duplicidade.
Contudo, já era tarde demais.
Todas as coordenadas geográficas já haviam sido traçadas.
Voltar atrás não era mais uma opção.
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