quarta-feira, 26 de outubro de 2016

A caixa (parte VI)



Wimma era mestre, rainha e senhora de técnicas de ilusão e dissimulação.
Qual urso polar preto com pelos translúcidos…
Quais biocromos associados a absorção seletiva…

Não!

Considerava a camuflagem absolutamente desleal.
Ao invés disso recorria ao mimetismo.
Sim. Wimma, a caixa, era sem dúvida portadora de características que evoluíram especificamente para se assemelhar com as de outras espécies.
Interagia directamente com os outros organismos, aparentemente idênticos e deixava-os simplesmente iludirem-se pelo elevado grau de similaridade que possuíam.

Tão simples quanto isto. Básico processo de evolução convergente, meus caros.

Esta particular caixinha não procurava dificultar a sua detecção na circunvizinhança.
Muito pelo contrário.
Fazia questão de se fazer notar, de modo vistoso e seguro, exibindo aquele acintoso olhar característico. Oh, como era encantador aquele sorriso petulante…

O jogo que jogava era limpo. As cartas eram devidamente embaralhadas e distribuídas por crupiês com formação especializada no casino da vida. Não procurava de forma alguma contornar as regras, via processos sugestivos, velhacos, desleais ou desonestos.
Honra, decoro e dignidade encontravam-se acima de tudo, muito embora não abdicasse de lançar, sobre pano verde, os seus mais bem guardados trunfos.

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