segunda-feira, 3 de outubro de 2016

A caixa (parte III)

Por mais que procurasse aproximar-se e perscrutar o interior da misteriosa caixinha, Betta não conseguia enxergar o que quer que fosse.
Rondara inúmeras vezes a região em que esta se encontrava, comedida e cautelosamente, em largos movimentos circulares ascendentes mas… nada.
A caixa parecia ser impenetrável. Quanto mais se aproximava, mais inacessível esta se tornava e mais se desvanecia o seu doce e sereno murmurar.
Esta intrigante caixinha não se deixava impressionar por ocasiões e circunstancias soalheiras mas antes pela amena humidade do crepúsculo.
A sua essência recolhia-se para dentro de uma redoma opaca, tal como um caracol mole e carnudo se recolhe na sua concha em situações de adversidade, dissimulando deste modo qualquer remanescente vestígio da sua existência.
Embora em torno de Betta tudo parecesse assumir contornos francamente misteriosos, a curiosidade e a perseverança teimavam em não o abandonar.
De modo sorrateiro e em jeito travesso, decidira continuar paulatinamente a sua busca, aguardando quem sabe, que os castelos de areia começassem a ceder.

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