segunda-feira, 10 de outubro de 2016
Pântano
Era belo, escuro, tentador e convidativo. Uma enorme depressão de terreno barrento que albergava algumas das mais encantadoras pérolas da existencialidade.
Águas paradas, pouco profundas, suspensas num imenso manto de impermeabilidade dualista, provocado por impertinentes planícies mal drenadas.
Tal como os fascinantes nenúfares que ali se encontravam e se apoderavam do cenário pitoresco, possuía umas quantas folhas submersas, algures no submundo da sua alma e outras tantas livremente flutuantes. As últimas, emanavam uma radiância exuberante e exibiam-se resplandecentemente à tona d’água. Brilhavam pois como petulantes pirilampos bioluminescentes em época de acasalamento. Quanto às alagadas pouco havia a acrescentar. Eram tóxicas e funestas mas ao mesmo tempo parte integrante da sua essência.
A remanescente vegetação era densa. Tão densa quanto os seus mais preciosos e inatingíveis sonhos. Parecia até suportar espontaneamente o peso da sua avultadíssima bagagem nostálgica. Decomposição. Estava a ser invadido por aquela estranha matéria em decomposição, que invariavelmente o penetrava necroticamente e se embrenhava naquele profundo, majestoso e inusitado covil de perdição, caminhando à deriva num fascinante e aterrador pântano de incredulidade e indeterminação.
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