terça-feira, 18 de outubro de 2016

A caixa (Parte V)

Ouvira falar de peixes que haviam outrora sucumbido à lenhosa e ardente fogueira do encantamento. Pobres e singelos mortais, cujas brânquias se inflamaram de tal modo, que o processo de hematose chegara a cessar por completo.
Inalaram sofregamente aquela doce e inebriante fragrância de júbilo e quando se aperceberam... Bom, já era tarde demais.
Tombaram simplesmente como rubicundas maçãs maduras em pomares veraneantes.
Pum, caíram e pronto.
Ao que parece, e de acordo com Keller, o limpa fundos de serviço, era algo que até acontecia com significativa frequência.
-Não se brinca com a força da gravidade. - Repetia vezes e vezes sem conta.
-Quem ousa aventurar-se é impreterivelmente mortificado, sem dó nem piedade, por toda uma esmagadora aceleração concomitante.
O empuxo debaixo deste mar é inevitável.
Tão inevitável quanto a morte.
Quando expelimos ou aceleramos uma massa do que quer que seja em determinada direcção, essa mesma massa causará invariavelmente uma força de igual magnitude em sentido oposto.
Não há como evitá-lo - retorquiu.
- É assim porque sim!

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