quarta-feira, 28 de setembro de 2016

A caixa (parte II)

De um momento para o outro, esfumara-se por completo todo o seu carácter ectotérmico. Uma minúscula chama ganhara vida no seu interior e logo tratara de estabilizar tudo o que de instável e de irregular ali existira outrora.
Betta, rodopiava alegremente naquelas recém-oxigenadas águas, purificadas pela turbulenta agitação daquela ribombante melodia.
A sua cauda azul-cobalto, em forma de véu, com reflexos em turquesa, ardósia e ametista, brilhava intensamente à medida que rompia a barreira fluida do espaço-tempo.
Experienciava uma incontrolável sinestesia, que lhe parecia ser causada por um vasto rol de fenómenos inexplicáveis, provavelmente provocados por alguma enigmática e indefinível condição neurológica.
Nadar.
Ele só queria nadar.
Nadar e rodopiar.
Rodopiar e piruetar.
Piruetar e nadar.
Nadar, vaguear e devanear.

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