segunda-feira, 26 de setembro de 2016

A caixa (parte I)

E algures, no fundo do baú obscuro de todas aquelas dúvidas e incertezas, algo reluzira lustrosamente.
Hermeticamente fechada e por baixo de forros, cobertas, faixas e ataduras onerosamente sufocantes, jazia uma caixinha perfeitamente trivial.
Caracterizada essencialmente pela despretensiosidade, a modesta canastra parecia procurar segredar-lhe algo deveras revelador.
Tardou a escutá-la, já que a atenção não era o seu forte mas a dada altura, para sua grande admiração, a caixinha começara a cantarolar alto, muito alto, num timbre estranhamente harmonioso e cativante.
Ganhara tais proporções aquele inusitado bramido, que como que se de uma revelação se tratasse, tivera a nítida certeza de que o que daí adviria, estaria prestes a ganhar contornos francamente imaculados.

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