quarta-feira, 19 de junho de 2019

Algas à deriva

Verdes, castanhas, vermelhas.
A intrigante serenidade das ondas e a das algas que a seu bel-prazer se deslocam.
Castanhas, vermelhas, verdes.
Inertes, virtuosas, submissas, parecem aceitar sem qualquer tipo de objecção o divagante destino que lhes é imposto.
Vermelhas, verdes, castanhas.
Para a frente e para trás.
Verdes, vermelhas, castanhas.
Para trás e para a frente.
Vermelhas, castanhas, verdes.
Um pouco mais à esquerda, à retaguarda, à direita.
Castanhas, verdes, vermelhas.
Impassível deslocação coordenada.
Verdes, castanhas, vermelhas.
Reluzente gota de água, geradora de perfeitos círculos visíveis à superfície, que deleita o olhar dos mais atentos e aponta para uma das grandes maravilhas da simetria.
Castanhas, vermelhas, verdes.
Céleres e fugazes formas de vida, tocadas apenas pela erosão, que por sua vez amplia ou reduz este mágico festim sensorial.
Vermelhas, verdes, castanhas.
A calmaria, a placidez, a mansidão, onde o céu nublado de um celeste azul em degradê com aleatórios pedaços de algodão bordados, tapa o insolente sol espreitante.
Verdes, vermelhas, castanhas.
Desvairados protistas, minimalistas, dotados de arrojo e de vontade própria.
Vermelhas, castanhas, verdes.
Clorófitas, xantófilas, “originalofitas”.
Castanhas, verdes, vermelhas.
Autoproclamadas anarcas diligentes.

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