quinta-feira, 9 de maio de 2019

Cortinas de impessoalidade

É francamente deplorável a animosidade geral nos dias que correm.

Tenho cada vez mais a impressão de que as pessoas são arrogantes e desagradáveis fortuitamente.

Pior ainda, é aperceber-me disso em situações absolutamente triviais e corriqueiras que fazem parte do quotidiano.

Recentemente enviei três e-mails em circunstancias distintas, com o intuito de obter esclarecimento em três campos absolutamente diferentes, tendo sido confrontada com respostas no mínimo desconcertantes.

Em cada um dos casos, o retorno que obtive foi de extremo mau gosto, pecando naturalmente pela falta de cordialidade..

Expressões como “Não entendemos a sua questão (...)”, “Não entendemos que tipo de informação pretendia que lhe fosse enviada (...)” e “Se tivesse lido o que se encontra disponível no nosso site saberia que (...)” tornaram-se cada vez mais frequentes no mar impessoal da virtualidade.

Creio que não tendo que dar a cara, as pessoas ignoram deliberadamente as normas de educação e das boas maneiras, assumindo antes uma postura ignóbil e mesquinha.

Esta invisível cortina de impessoalidade que desencadeia o “efeito de desinibição” por parte de muitos dos que mantêm comunicações online, está a tornar-se um problema real e lastimoso.

Compreendo perfeitamente que cada qual comunica de forma diferente e que a escrita não é um talento inerente a todos, mas acredito que deveria haver limites, por mais que não seja de bom senso.

Longe de mim procurar ostentar uma conduta puritana. Tendo em conta as minhas próprias lacunas e procurando eu mesma naturalmente preenche-las, apelo aqui a uma pequena análise.

Sugiro pois que sejam deixados de parte egos, quezílias e frustrações e que passemos a tratar o próximo com o apreço e dignidade devidamente requeridos, dentro e fora da Internet.

Acabo assim esta reflexão, relembrando uma conhecidíssima expressão popular:

“Não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti”.

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