sexta-feira, 27 de abril de 2018
Espaço sideral (III)
Era como que uma espécie de obstrução.
O caminho de Y estava bloqueado.
Uma vez tendo tudo ido pelo relo abaixo, precisava o quanto antes de desentupir a canalização.
Todo e qualquer vestígio de detrito encontrava-se depositado lá bem no fundo da sua alma, o que impossibilitava qualquer tipo de circulação, saída, passagem.
Soda cáustica e meia chávena de vinagre? Insuficiente!
Neste caso particular havia mesmo necessidade de se retirar o sifão.
A determinada altura, a sua vida tinha sido amaldiçoada.
Embora fosse incapaz de precisar quando, onde, porquê, ou por quem, era facto consumado.
Tratava-se de um daqueles acontecimentos sobrenaturais caracterizados pela suprema adversidade e incoerentes manifestações de azar.
À semelhanças das maldições presentes em relatos bíblicos, esta apenas poderia ser revogada quando uma entidade superior interviesse e promovesse a sua libertação.
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