terça-feira, 3 de abril de 2018

Espaço sideral (I)

Existia, naquele mundo, uma enorme pressão social que os impelia para a convivência.
Os nativos, nasciam, cresciam, viviam e morriam inter-relacionados uns com os outros, na vasta imensidão daquele caricato universo.

Na realidade, um dos aspectos mais importantes do exercício pleno da existência daquele povo, assentava na laboriosa arte de conviver.
Tratava-se não só de um íngreme e árduo caminho repleto de sinuosos trilhos, mas também de uma aprendizagem significativa que interpelava as múltiplas inteligências, emoções, sentimentos, apegos e aceitações dos demais.

As normas eram bem claras! Encontrarem-se sadiamente vinculados, significava respeitarem com honestidade e responsabilidade, tanto os outros como a si mesmos, aprenderem a compartilhar conquistas e frustrações, bem como reconhecerem a igualdade na diversidade.

Y preferia o vácuo parcial. Aquele gélido vazio apenas habitado por uma baixíssima densidade de partículas! Frio, muito frio! Ansiava desesperadamente pela subversão dos valores previamente estipulados e há séculos em vigência. Idealizava uma revolução. Uma revolução sideral.

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