quarta-feira, 24 de maio de 2017

Alma refugiada

Refugiada.
Por força das circunstancias aquela alma tornou-se refugiada.

Receando pela sua vida, realização e liberdade, viu-se forçada a abandonar o seu lar, rumo a um futuro incerto em terras longínquas e inexploradas.

Vítima de guerras, perseguições, desacordos e intolerância, não encontrou outro caminho que não esse, após anos e anos de batalhas sangrentas, repletas de campanhas militares arrasadas pela falta de táctica e insuficiência de estratégia.
Vencida e derrotada, acabara sumariamente por ser transferida para os primórdios da sua miserável e fúnebre existência.

Malquista e indesejada, é agora como que uma terrível praga ameaçadora das reluzentes e vivazes plantações de trigo, que a muito custo proliferam sob os raios tórridos de um verão abrasador.
Traz consigo, na bagagem, sementes de discórdia e de tumulto, que se alastrarão inevitavelmente como ervas daninhas entre os demais.

Pedra no sapato.

É esta a designativa caracterização que lhe assola o íntimo, quando confrontada com a precariedade infligida por tal demanda. 

Perdida, deambula agora pelo mundo, numa desmedida e insustentável ambivalência de emoções, muito embora ao longe, para lá do nevoeiro entorpecedor, emirja uma pequeníssima edificação de carácter onírico, estruturada num projecto de paz, sob uma sólida base de esperança.

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