terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Mentiras fabricadas

Esta reflexão surgiu na sequência de um caso de agricultura transgénica num determinado país da América latina.
Está provado por A + B que a contaminação por parte de certo produto de determinada empresa vigente de plantação transgénica, para além de estar a afectar fortemente as redondezas, chega mesmo a ter um efeito devastador na biodiversidade do planeta.
Nessa região específica, os casos de crianças com doenças neuro degenerativas disparou de tal forma, que os próprios médicos afirmam ser inevitável a associação desse trágico acontecimento, à elevada percentagem de agrotóxicos no terreno.
Todavia, passam diariamente na televisão nacional desse país, anúncios de carácter tranquilizador, pagos obviamente pela empresa, que garantem a eficácia e segurança do tal produto – “Trinta anos de segurança visíveis no seu terreno”, são as palavras exactas.
Bom, este tema daria pano para mangas mas não é de todo minha intenção alongar-me nesse sentido. As questões que se colocam são: Terão a censura, a propaganda e a violência repressiva realmente acabado nos estados ditos democratas? Até que ponto é que nos deixamos manipular?
Vivemos na tirania da informação, onde somos os mais ávidos consumidores de notícias processadas. Sim, tratam-se de noções rápidas e baratas, onde predominam o excesso de açúcar sensacionalista e uma enorme quantidade de sal antiético. Diabéticos! Estão a tornar-nos diabéticos.
Perdeu-se o carácter informativo e o que era para esclarecer confunde. A informação é manipulada, omitindo factos relevantes e deformando o conteúdo da real informação veiculada, de modo a que a mesma se ajuste às ideias dos censores.
A informação é forjada de forma a provocar uma adesão imediata a certos estímulos, explorando para tal as emoções ou os medos das pessoas.
A explicação é simples.
As actuais sociedades urbanas nasceram da desagregação das sociedades rurais onde predominavam fortes laços tradicionais que tinham a família e a comunidade como base sólida estrutural.
Dessa dissociação nasceu o crescente desamparo e isolamento dos indivíduos.
Tornámo-nos desta forma muito mais passíveis à permeabilidade dos processos de manipulação, já que, não tendo ninguém com quem discutir a informação adquirida, tendamos mais facilmente a acreditar no que nos é transmitido pelos meios de comunicação.
Esta profunda transformação social foi ainda acompanhada pela destruição daquilo a que se chama espaço público. Reunimo-nos cada vez menos e como tal a real opinião pública desvanece-se. O crescente e inevitável isolamento, levou à necessidade de se encontrar meios de comunicação entre os indivíduos atomizados, surgindo assim, nesse contexto, as bestas massivas com que nos deparamos diariamente.
Os novos meios de comunicação, promovidos e controlados pelos grandes grupos económicos, não se limitaram todavia a agir como simples instrumentos informativos. Convenientemente passaram também a produzir opiniões de acordo com os interesses de quem os controla e naturalmente, dado o seu impacto social, começaram desde muito cedo a produzir ou a forjar a opinião pública.
São mestres em técnicas de ilusão, ao simularem debates, realizarem sondagens, elaborarem entrevistas, entre outros engodos. Dominam ainda as apelidadas manobras de diversão. Quando ocorrem situações poucos favoráveis a quem os controla, os órgãos de comunicação social transformam-se frequentemente em órgãos de distração, aumentando sem qualquer critério de relevância político-social a produção de “notícias”, de modo a fazer passar despercebidos factos incómodos, ou a torná-los frívolos e insignificantes pelo excesso de informação.
Marionetes. Não passamos de pequenas figuras de carne e osso que uma corporação, oculta por de trás de uma tela invisível, movimenta com os dedos por meio de cordéis “informativos”.
Como poderemos evitar cair nestas intrujices?
Resta-me apenas sugerir que nos tornemos mais vigilantes relativamente a estas instituições democráticas e a estes órgãos de informação. Deveremos adoptar uma atitude de permanente reflexão crítica sobre o que nos é transmitido e deveremos procurar fazê-lo juntos dos que nos são mais chegados.
Não há outra saída.
Abaixo a artificialidade.

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