Esta reflexão surgiu na sequência de um caso de agricultura transgénica num determinado país da América latina.
Está provado por A + B que a contaminação por parte de certo produto
de determinada empresa vigente de plantação transgénica, para além de
estar a afectar fortemente as redondezas, chega mesmo a ter um efeito
devastador na biodiversidade do planeta.
Nessa região específica, os casos de crianças com doenças neuro
degenerativas disparou de tal forma, que os próprios médicos afirmam ser
inevitável a associação desse trágico acontecimento, à elevada
percentagem de agrotóxicos no terreno.
Todavia, passam diariamente na televisão nacional desse país,
anúncios de carácter tranquilizador, pagos obviamente pela empresa, que
garantem a eficácia e segurança do tal produto – “Trinta anos de
segurança visíveis no seu terreno”, são as palavras exactas.
Bom, este tema daria pano para mangas mas não é de todo minha
intenção alongar-me nesse sentido. As questões que se colocam são: Terão
a censura, a propaganda e a violência repressiva realmente acabado nos
estados ditos democratas? Até que ponto é que nos deixamos manipular?
Vivemos na tirania da informação, onde somos os mais ávidos
consumidores de notícias processadas. Sim, tratam-se de noções rápidas e
baratas, onde predominam o excesso de açúcar sensacionalista e uma
enorme quantidade de sal antiético. Diabéticos! Estão a tornar-nos
diabéticos.
Perdeu-se o carácter informativo e o que era para esclarecer
confunde. A informação é manipulada, omitindo factos relevantes e
deformando o conteúdo da real informação veiculada, de modo a que a
mesma se ajuste às ideias dos censores.
A informação é forjada de forma a provocar uma adesão imediata a
certos estímulos, explorando para tal as emoções ou os medos das
pessoas.
A explicação é simples.
As actuais sociedades urbanas nasceram da desagregação das sociedades
rurais onde predominavam fortes laços tradicionais que tinham a família
e a comunidade como base sólida estrutural.
Dessa dissociação nasceu o crescente desamparo e isolamento dos indivíduos.
Tornámo-nos desta forma muito mais passíveis à permeabilidade dos
processos de manipulação, já que, não tendo ninguém com quem discutir a
informação adquirida, tendamos mais facilmente a acreditar no que nos é
transmitido pelos meios de comunicação.
Esta profunda transformação social foi ainda acompanhada pela
destruição daquilo a que se chama espaço público. Reunimo-nos cada vez
menos e como tal a real opinião pública desvanece-se. O crescente e
inevitável isolamento, levou à necessidade de se encontrar meios de
comunicação entre os indivíduos atomizados, surgindo assim, nesse
contexto, as bestas massivas com que nos deparamos diariamente.
Os novos meios de comunicação, promovidos e controlados pelos grandes
grupos económicos, não se limitaram todavia a agir como simples
instrumentos informativos. Convenientemente passaram também a produzir
opiniões de acordo com os interesses de quem os controla e naturalmente,
dado o seu impacto social, começaram desde muito cedo a produzir ou a
forjar a opinião pública.
São mestres em técnicas de ilusão, ao simularem debates, realizarem
sondagens, elaborarem entrevistas, entre outros engodos. Dominam ainda
as apelidadas manobras de diversão. Quando ocorrem situações poucos
favoráveis a quem os controla, os órgãos de comunicação social
transformam-se frequentemente em órgãos de distração, aumentando sem
qualquer critério de relevância político-social a produção de
“notícias”, de modo a fazer passar despercebidos factos incómodos, ou a
torná-los frívolos e insignificantes pelo excesso de informação.
Marionetes. Não passamos de pequenas figuras de carne e osso que uma corporação, oculta por de trás de uma tela invisível, movimenta com os
dedos por meio de cordéis “informativos”.
Como poderemos evitar cair nestas intrujices?
Resta-me apenas sugerir que nos tornemos mais vigilantes
relativamente a estas instituições democráticas e a estes órgãos de
informação. Deveremos adoptar uma atitude de permanente reflexão crítica
sobre o que nos é transmitido e deveremos procurar fazê-lo juntos dos
que nos são mais chegados.
Não há outra saída.
Abaixo a artificialidade.
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