quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Coincidências

O que são afinal coincidências?
 Do ponto de vista etimológico, a palavra incidência significa ocorrência ou acontecimento, enquanto o prefixo "co" remete para a concomitância ou simultaneidade de dois elementos. Coincidência, diz então teoricamente respeito ao acto de coincidir, indicando acontecimentos que ocorrem em simultâneo. É sinónimo de coexistência de concordância e de simultaneidade.
Em algumas situações a palavra coincidência pode significar acaso, por descrever uma situação que ocorre sem combinação prévia. Muitos, no entanto, refutam a sua existência e afirmam categoricamente que tudo está previsto pelo destino, que é por sua vez traçado por uma entidade superior.

Afinal de contas, quem nunca se indagou se a trajectória das nossas vidas está de facto prescrita ou se aquilo que cruza o nosso caminho, por vezes de forma surpreendente e definitiva, é mera coincidência?
Em que ficamos? Existem ou não coincidências?
Há quem lhe chame sorte mas a realidade é que temos quase todos alguma história impressionante para contar, desde a mais corriqueira do dia-a-dia até aos acontecimentos mais assustadores e surpreendentes.

Os mais cépticos asseguram que tudo não passa de convergência de fatos. Destino, situações pré-determinadas, nada disso existe. Defendem que cada um controla alguns dos parâmetros da sua vida e que outros são aleatórios. Afirmam que poderemos ficar perplexos com determinados acontecimentos e com o modo como as coisas se encaixam, mas tudo são consequências dos nossos actos e pensamentos, que se manifestam naqueles que nos estão mais próximos. Temos na realidade tendência para identificar conexões e padrões em dados aleatórios. Ao acharmos estarmo-nos a deparar com uma coincidência, o nosso cérebro está na realidade simplesmente a exercer a sua habilidade fundamental de identificar padrões. As coincidências podem ser explicadas não apenas pela nossa predisposição aos padrões e conexões, mas também por vários outros vieses cognitivos que nos impedem de visualizar as conexões causais entre factos coincidentes.

A psicanálise, o espiritismo e a astrologia têm visões opostas, muito particulares sobre essas situações.
Afirmam que crer ou não num destino pré-existente, numa força que comande esses cruzamentos é algo pessoal, ligado à religiosidade. O ser humano necessita de explicações e, diante de situações extraordinárias como essas, vai buscá-las ao sobrenatural.
Para o espiritismo, os nossos caminhos são tão bem engendrados por entidades superiores, que não haveria espaço para coincidências. Todos os encontros, todas as vivências, têm as suas razões de existir e acontecer como acontecem.

Já a astrologia prefere associar esses acontecidos à sincronicidade. Os acontecimentos dão-se ao mesmo tempo e são conectados entre si, mesmo que isso, à luz da razão, não seja imediatamente visível. De acordo com esta teoria devemos prestar atenção a essas pequenas sequências de acontecimentos que podem preparar-nos para um grande momento de reflexão na nossa vida. Um episódio maior vem sempre acompanhado de alguns acontecimentos menores do mesmo tipo, que devem servir de aviso.

Serão as coincidências uma manifestação divina, de um mundo superior, que não temos capacidade de contemplar?
Deveremos ou não procurar quebrar a barreira das nossas interpretações lógicas?
Bom, caberá a cada um de nós reflectir sobre o assunto e tirar as suas próprias ilações.

Sem comentários:

Enviar um comentário