O que são afinal coincidências?
Do ponto de vista etimológico, a palavra incidência significa
ocorrência ou acontecimento, enquanto o prefixo "co" remete para a
concomitância ou simultaneidade de dois elementos. Coincidência, diz
então teoricamente respeito ao acto de coincidir, indicando
acontecimentos que ocorrem em simultâneo. É sinónimo de coexistência de
concordância e de simultaneidade.
Em algumas situações a palavra coincidência pode significar acaso,
por descrever uma situação que ocorre sem combinação prévia. Muitos, no
entanto, refutam a sua existência e afirmam categoricamente que tudo
está previsto pelo destino, que é por sua vez traçado por uma entidade
superior.
Afinal de contas, quem nunca se indagou se a trajectória das nossas
vidas está de facto prescrita ou se aquilo que cruza o nosso caminho,
por vezes de forma surpreendente e definitiva, é mera coincidência?
Em que ficamos? Existem ou não coincidências?
Há quem lhe chame sorte mas a realidade é que temos quase todos alguma história impressionante para contar, desde a mais corriqueira do dia-a-dia até aos acontecimentos mais assustadores e surpreendentes.
Os mais cépticos asseguram que tudo não passa de convergência de
fatos. Destino, situações pré-determinadas, nada disso existe. Defendem
que cada um controla alguns dos parâmetros da sua vida e que outros são
aleatórios. Afirmam que poderemos ficar perplexos com determinados
acontecimentos e com o modo como as coisas se encaixam, mas tudo são
consequências dos nossos actos e pensamentos, que se manifestam naqueles
que nos estão mais próximos. Temos na realidade tendência para identificar
conexões e padrões em dados aleatórios. Ao acharmos estarmo-nos a
deparar com uma coincidência, o nosso cérebro está na realidade
simplesmente a exercer a sua habilidade fundamental de identificar
padrões. As coincidências podem ser explicadas não apenas pela nossa
predisposição aos padrões e conexões, mas também por vários outros
vieses cognitivos que nos impedem de visualizar as conexões causais
entre factos coincidentes.
A psicanálise, o espiritismo e a astrologia têm visões opostas, muito particulares sobre essas situações.
Afirmam que crer ou não num destino pré-existente, numa força que
comande esses cruzamentos é algo pessoal, ligado à religiosidade. O ser
humano necessita de explicações e, diante de situações extraordinárias
como essas, vai buscá-las ao sobrenatural.
Para o espiritismo, os nossos caminhos são tão bem engendrados por
entidades superiores, que não haveria espaço para coincidências. Todos
os encontros, todas as vivências, têm as suas razões de existir e
acontecer como acontecem.
Já a astrologia prefere associar esses acontecidos à sincronicidade.
Os acontecimentos dão-se ao mesmo tempo e são conectados entre si, mesmo
que isso, à luz da razão, não seja imediatamente visível. De acordo com
esta teoria devemos prestar atenção a essas pequenas sequências de
acontecimentos que podem preparar-nos para um grande momento de reflexão
na nossa vida. Um episódio maior vem sempre acompanhado de alguns
acontecimentos menores do mesmo tipo, que devem servir de aviso.
Serão as coincidências uma manifestação divina, de um mundo superior, que não temos capacidade de contemplar?
Deveremos ou não procurar quebrar a barreira das nossas interpretações lógicas?
Bom, caberá a cada um de nós reflectir sobre o assunto e tirar as suas próprias ilações.
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