terça-feira, 27 de novembro de 2018

Hipócrita (Parte I)

Édipo desconhecia a importância da solenidade pelo julgamento requerida.

É certo, que todos os juízos de valor são por natureza desprovidos de justiça, sendo por conseguinte injustos mas faltava-lhe no entanto o tacto necessário durante o processo de triagem.

Fora desde sempre um terrível avaliador: de ideias, de pessoas, de situações; de toda e qualquer forma de justa e coerente avaliação.

Baseou-se invariavelmente em pareceres e em suposições rebuscadas, que lhe eram proporcionadas pela adubada mente que possuía.

E não, não se trata de uma incongruência.

Embora estrumado, o seu espírito caminhava a passos largos para a infertilidade de raciocínio. Ciclos e ciclos de queimadas, seguidos de plantações de monoculturas ideológicas , devastaram por completo aquele solo.

Pobre Édipo.

Desconhecia que é de longe sabido que nenhum conhecimento obtido pela experiência acerca do que quer que seja, poderá alguma vez gerar claramente uma exacta e distinta apreciação.

Necessitava antes de adquirir um parecer holístico-generalizado, geralmente citado como “uma visão mais abrangente”.

Mas basta!

Paremos de sentenciá-lo!

Édipo não passava de uma indigente criatura atarantada.

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