Por norma, quando os planos que delineamos não correm de acordo com as nossas expectativas, tendemos a experienciar um misto de desalento, exasperação e frustração.
Foi justamente o facto de me ter apercebido do estranho rácio de sentimentos que me invadiu numa situação absolutamente trivial e corriqueira, que me levou não só a refletir mas a escrever sobre o assunto.
Estará o universo repleto de modelos egocêntrico com configurações semelhantes às do sistema solar? Será que bem lá no fundo, nos vemos a nós próprios como elementos centrais de um sistema, onde os remanescentes intervenientes e organismos giram à nossa volta?
Vamos então esmiuçar o conceito de egoísmo.
Teoricamente o ego age como intermediário entre os desejos e os mandamentos morais do “eu” , para que nós indivíduos, consigamos satisfazer as nossas necessidades, de acordo com as normas vigentes dos parâmetros sociais.
Acessível, certo?
É ainda de senso comum, o facto de aspirarmos a todo o custo alcançar o que pretendemos. Desde que o mundo é mundo, que a humanidade procura evoluir satisfazendo as suas necessidades (das mais básicas às mais complexas), tendo portanto em vista saciar as suas carências.
Existem naturalmente formas distintas de as atingir, umas mais ortodoxas do que outras, mas de qualquer modo todos nós já encarnámos a dada altura, o demónio da manipulação. Mesmo que até tenhamos bom íntimo e que procuremos assegurar o bem- estar alheio, se este convergir em demasia com os nossos mais profundos interesses, dá-se por iniciado um temível conflito existencial.
Onde quero chegar é ao seguinte: Quando confrontados com determinado entrave oponente ao que almejamos, não mediremos a situação com régua e esquadro procurando traçar os azimutes do que nos é mais conveniente? Até que ponto estará isso errado? Com maior ou menor exaltação da própria personalidade, não seremos afinal de contas, todos egoístas?
Se o leitor questiona a validade lógica destas interrogações, veja as coisas por este prisma.
Quer admitamos quer não, não podemos evitar o facto de querermos que a água seja levada ao nosso moinho.
Nós próprios somos tudo o que realmente temos.
Nós vamos ficar connosco para sempre, já que, e por mais ambíguo que possa parecer, somos a única coisa que efetivamente possuímos.
Não podemos evitar o facto de estarmos sempre e para sempre acorrentados a nós próprios. Essa condicionante faz com que mais cedo ou mais tarde nos amemos demais, e quem sabe um dia, excessivamente.
Como vencer afinal com dignidade a batalha interior que se inicia quando o universo não conspira a nosso favor?
Sermos egoístas fará de nós más pessoas?
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