Perdia-se e reencontrava-se inúmeras vezes.
Betta estava preso num bizarro e arrebatador labirinto galáctico em forma de espiral.
Cercado de gases hediondos e de poeiras sedutoras, sentia-se como que no interior de uma densa nuvem molecular, onde o brilho dos aglomerados corpos celestes, quase se anulava com o dissimulado vislumbre da matéria negra.
Ventos aguçados fustigavam-no drasticamente, impelindo-o por vezes para o desassossego dos braços marginais, a parsecs e parsecs do núcleo.
Recusava-se a orbitar e a respeitar as tão dogmáticas normas do domínio gravitacional mas ao mesmo tempo assolava-o o carácter volátil e imprevisível dos impertinentes cometas.
Precisava desesperadamente de encontrar um asteroide que lhe servisse de covil. Um coral. Uma anémona. Colónias ricas e estruturalmente edificadas que albergassem ecossistemas pacíficos, repletos de multidiversidade espiritual.
Um retiro. Requeria-se um retiro. O ominoso peixinho encontrava-se demasiado exposto.
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